Quem quer começar a observar aves na grande São Paulo não precisar ir muito longe. Logo ali perto, cravado em plena metrópole, a Serra da Cantareira reúne uma diversidade de espécies comparável às encontradas em áreas protegidas na Serra do Mar. É o que mostra o levantamento feito pelo pesquisador Vinicius R. Tonetti, publicado no início de junho na revista científica Zoologia.

O estudo revela a ocorrência de 329 espécies de aves na Serra do Cantareira desde o início do século XX até os dias atuais. “É um número muito elevado para uma área urbana”, explica Tonetti, que afirma que levantamentos que mostram tamanha diversidade normalmente são feitos em área de vegetação primária. Na Cantareira ocorrem 80 espécies endêmicas do bioma Mata Atlântica.

Os pesquisadores compilaram estudos feitos anteriormente no local, além de incluir dados de registros em coleções ornitológicas como o Museu da USP e a base de dados em sites especializados como o Wikiaves e Xeno-Canto. A listagem foi unidas com os dados de espécies registradas pelos próprios pesquisadores em campo. O resultado encontrado foi a de que das 326 espécies registradas, sete se encontram globalmente ameaçadas de extinção, cinco estão ameaçadas no Brasil e 17 estão ameaçadas localmente no estado de São Paulo.

O artigo ainda discute os impactos que a construção e futura operação da seção norte do Rodoanel Mário Covas poderá ter sobre a biodiversidade da Serra do Cantareira, que abriga o Parque Estadual da Cantareira. A estrada passa muito próxima do parque. Os pesquisadores sugerem como medida mitigadora que fragmentos florestais próximos ao parque seja incorporado na área protegida.

“Muita gente já brigou pela ampliação do parque. O que a gente sugere que isso pode ser uma das medidas para diminuir a influência da rodovia na área protegida”, afirma o biólogo.

O ruído das estradas impacta a avifauna negativamente. Segundo os ornitólogos, o barulho pode causar mudanças no comportamento de alimentação de aves, dificultar a comunicação e gerar estresse crônico, sem contar o risco de atropelamento para os vertebrados em geral que tentam atravessar a rodovia.

 

Fonte:  O eco