02
nov

Cientistas descobrem floresta no meio do deserto do Saara

Com a ajuda de imagens de satélites de alta precisão e tecnologia de inteligência artificial, cientistas europeus localizaram uma área verde no deserto africano e estão contando quantas árvores cresceram neste lugar árido, onde não acreditavam encontrar áreas verdes.

Eles vasculharam mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados no deserto do Saara e as terras secas da região de Sahel e descobriram uma Floresta desconhecida até o momento.

A

A região é um mar de dunas e terras secas maior do que os territórios de Angola ou do Peri, por exemplo. Mas, bem ali, foram descobertas 1,8 bilhão de árvores e arbustos com coroas que medem maiores que 3 metros quadrados.

“Foi uma grande surpresa descobrir que algumas árvores são capazes de crescer no deserto do Saara, uma região onde a maioria das pessoas acreditava que isso não seria possível – até agora.”, conta Martin Brandt, geógrafo da Universidade de Copenhagen que liderou o estudo.

“Contamos milhões de árvores no meio de um deserto”

Foto: Dr. Martin Brandt

Martin e uma equipe de pesquisadores da Alemanha, França, Senegal, Bélgica e da Nasa contaram ao periódico científico Nature que eles usaram inteligência artificial e imagens de satélites tão precisas que, do espaço, as câmeras conseguiam identificar objetos com menos de meio metro de diâmetro para tentar entender a existência desta nova floresta no mundo.

“Árvores for a das áreas ocupadas por florestas não são comuns dentro dos modelos climáticos que usamos e sabemos muito pouco sobre a sua capacidade de estocar carbono. Elas são um elemento desconhecido no ciclo do carbono”, explica Martin.

Árvores fazem a diferença

As árvores são sempre importantes, independente da sua localização. Nas cidades, elas melhoram a qualidade de vida e valorizam propriedades. Nas florestas elas conservam e reciclam a água e são Abrigo para milhões de animais e outras espécies vegetais, além de absorverem carbono da atmosfera. Em pastagens elas ajudam a preservar o solo, são o habitat de outras espécies e essenciais para a alimentação e subsistência de pessoas e animais.

Mas as árvores que crescem fora de florestas ainda não são totalmente conhecidas quando pensamos nelas como uma peça no ciclo de carbono mundial e em possíveis soluções para a crise climática.

“ESTAS ÁRVORES SÃO UM PONTO A SER ENTENDIDO E UM ELEMENTO DESCONHECIDO NO CICLO GLOBAL DE CARBONO”, DIZ O DR. BRANDT.

O total de árvores contabilizadas nas regiões do Saara e Sahel é provavelmente subestimado já que o satélite não conseguiu separar e identificar árvores com uma copa menor do que 3 metros quadrados.

Novas possibilidades

Esta descoberta é mais uma surpresa que a natureza e as árvores oferecem à ciência. Nos últimos anos, cientistas fizeram um censo de quantas árvores existem no mundo e chegaram ao número aproximado de 3 trilhões. Também foram contabilizados os diferentes tipos de árvores e o número ultrapassou 60 mil. Na tentativa de descobrir a área de desertos e savanas cobertas por árvores, os cientistas chegaram a esta floresta escondida.

Pesquisadores calcularam ainda que uma campanha de plantio de árvores seria capaz de fazer uma grande diferença no cenário de mudanças climáticas. Mas, também descobriram que conservar as áreas verdes já existentes seria uma maneira mais simples e muito mais barata de manter o equilíbrio ambiental do planeta – o valor dos serviços ambientais que elas garantem aos seres humanos é praticamente incalculável.

Foto: iStock by GettyImages

A nova perspectiva – que combina inteligência artificial e satélites de ultima geração – pode ajudar a identificar não apenas a quantidade de árvores, mas as diferentes espécies. Apesar de ser dificil precisar o número de troncos, e consequentemente o número exato de árvores, por conta das copas que se sobrepõe à esta imagem, os cientistas garantem que esta tecnologia estabelece um novo ponto de partida para muitas pesquisas.

“Sem esta tecnologia, não poderíamos ter descoberto e mensurado o tamanho desta floresta”, afirma o Dr Brandt. “Acredito que este pode ser o início de uma nova era nas pesquisas científicas”.

 

Fonte: UneBrasil